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Entrevista

Data: 20/10/2009
Entrevistado: Dr. Antonio Weston
Qualificação: Diretor Científico da AMRIGS

Frase: Residência Médica: a consolidação do conhecimento do médico e futuro especialista — Dr. Antonio Weston, Diretor Científico da AMRIGS, responde sobre um tema de grande importância para o futuro médico, a Residência Médica

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Abordamos na entrevista da edição do Jornal AMRIGS Ano 57, nº 5 (set/out 2009) um tema de grande importância para o futuro médico: a Residência Médica. Para responder algumas questões sobre o assunto convidamos o Dr. Antonio Carlos Weston, Diretor Científico da AMRIGS. Atuando em várias frentes na defesa e valorização da Medicina, desde a atividade médica de campo, nos hospitais, e em atividades mais administrativas e estratégicas ao ocupar cargo diretivo em nossa Associação Médica, Dr. Weston é também preceptor das Residências Médicas de Cirurgia Oncológica e Cirurgia Geral na Santa Casa de Porto Alegre, onde ocupa o cargo de Coordenador do Centro de Tratamento da Obesidade e responsável pelo desenvolvimento do Programa de Reabilitação e Transplante Intestinal dessa centenária instituição médica.

Graduado em Medicina pela Fundação Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (1984), Dr. Weston é mestre em Gastroenterologia pela UFRGS (1996) e doutor em Ciências Médicas pela UFRGS (2001). Sua qualificação ainda passa por cursos de extensão em Cirurgia Oncológica pelo Memorial Sloan-Kettering Cancer Center de New York em 1999 e Cirurgia do Transplante no Georgetown Universitary Hospital em Washington DC em 2007 e 2008.

Com a sua larga vivência na Medicina, o quê representa a Residência Médica para o futuro médico?

A Residência Médica é de fundamental importância na formação do especialista. Através do conceito de treinamento em serviço a Residência oferece uma oportunidade muito grande na consolidação do conhecimento e no desenvolvimento técnico e científico do médico e futuro especialista.

Um bom programa de Residência é aquele que consegue unir requisitos como: volume de serviço, adequada formação do seu corpo de instrutores, um bom programa didático e principalmente, a visão de que, às vezes, vale mais uma conduta adequada, do ponto de vista humano e de postura, do que propriamente um desfile de conhecimento teórico, que muitas vezes não é aplicável na prática.

Os gestores de programas de residência também devem ser avaliados pelos seus residentes com o intuito de saber se eles estão fornecendo o subsídio adequado para a sua formação. Penso que neste aspecto os nossos programas de residência ainda estejam um pouco carentes.

Os exames para avaliação médica, visando à Residência, são realmente importantes para os hospitais? 

Os exames de avaliação são necessários porque representam a forma mais impessoal e democrática de avaliar o conhecimento adquirido durante o curso de medicina.

Ainda mais se o exame possui um adequado equilíbrio de conteúdos e de graus de dificuldade das questões. Neste aspecto o Exame AMRIGS se destaca.

O exame atingiu um grau de maturidade e de profissionalismo na sua concepção e execução que o torna um instrumento extremamente importante no nosso meio para avaliar conhecimento e servir de base para classificação para os diversos programas de Residência Médica que o utilizam.

Entre os exames seletivos para a Residência Médica em nosso Estado, o Exame AMRIGS tem se destacado. É pelo simples fato de ser o mais antigo?

O tempo de realização do Exame, e aí já contamos com quase 40 anos, foi importante no sentido de afirmar a sua marca de seriedade, qualificação e tradição. Mas não foi apenas o tempo e sim a grande capacidade da equipe coordenada pelo Dr. Jorge Hetzel em organizar e realizar o Exame.

No seu entendimento, o Exame AMRIGS vem se fortalecendo nos municípios gaúchos? Por quê?

A AMRIGS realizou, graças ao esforço do seu núcleo técnico-científico, uma verdadeira peregrinação pelo Estado, principalmente naquelas cidades pólo onde se desenvolvem programas de Residência Médica.

Este trabalho teve como resultado um significativo aumento do número de programas inscritos no exame e, conseqüentemente, o reconhecimento do Exame como um instrumento sério e de grande qualidade.

Como o número de vagas em Residência Médica é insuficiente para contemplar os formandos em Medicina, os exames de seleção se tornaram um segundo vestibular?

A Residência Médica contempla apenas 40% dos médicos formados por ano. Com isto a competição tornou-se extremamente acirrada pelas vagas já que é uma oportunidade ímpar para a formação do especialista

A decisão da coordenação do Exame AMRIGS em promover, este ano, a auto-avaliação para os acadêmicos de medicina, foi acertada? No que ajuda o estudante?

Esta decisão foi discutida no âmbito da Direção da AMRIGS. Possibilita que o estudante ao término da sua formação teórica no final do oitavo semestre possa se auto-avaliar e iniciar de certa forma o seu período de preparo da prova com o objetivo classificatório.

De qualquer forma o importante é o estudante pensar na sua formação médica de forma abrangente e completa compreendendo também o seu período de estágios práticos ao final do seu curso.

 
 
 
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