Introdução
Uma definição adequada de qualidade de cuidados em saúde
para populações preconiza a habilidade para acessar assistência efetiva, com
bases equânimes e eficientes para a otimização do benefício em saúde e do
bem-estar para toda a população (1). O conceito de cuidados efetivos, por
sua vez, envolve a capacidade diagnóstica, a aderência dos profissionais de
saúde e dos pacientes (2).
Segundo Pereira (3), "avaliar a qualidade das ações e dos
serviços de saúde é fundamental. O melhor conhecimento do desempenho nos
serviços constitui um elemento da maior relevância na progressiva
caracterização do que deve ser considerado em um sistema de saúde desejável
e economicamente acessível ao país". Contudo, a prática de avaliar os
serviços, programas e ações de saúde no Brasil ainda é incipiente (4).
Da mesma forma, o emprego do método epidemiológico na avaliação das ações
em Diabetes mellitus é bastante recente e a revisão de literatura nos
últimos vinte anos é escassa. Até o presente, poucos estudos de base
populacional têm sido realizados no Brasil, entre eles o Estudo
Multicêntrico sobre Prevalência de Diabetes Mellitus (5) e um estudo
de avaliação do programa de diabetes nas unidades de atenção primária à
saúde, em Pelotas, RS (6). Contudo, a aplicação dos conceitos e métodos
epidemiológicos na avaliação de serviços, programas e tecnologias tem se
desenvolvido notadamente (7).
A avaliação de programas, serviços e tecnologias em saúde
têm se expandido e se diversificado conceitual e metodologicamente, por se
constituir em instrumento de apoio às decisões necessárias à dinâmica dos
sistemas e serviços de saúde e na implementação de políticas de saúde (8).
A idéia de qualidade está presente em todos os tipos de
avaliação, uma vez que atribui valor a alguma coisa que, quando positivo,
significa ter qualidade. Para estimar a qualidade dos serviços, Donabedian
(9) recomenda a análise da estrutura, do processo e do resultado.
A estratégia do tratamento do Diabetes mellitus é
a prevenção das complicações, que se baseia no controle de seus fatores de
risco e na sua detecção precoce (10). Geralmente, sendo realizada em nível
primário de atenção, evitando complicações que sobrecarregam o nível
secundário e terciário da estrutura de saúde. E para isso, alguns requisitos
básicos são indicados para o manejo adequado, entre eles uma equipe
multidisciplinar capacitada.
O nível primário no sistema de saúde da cidade de Pelotas
é constituído por 55 unidades. Entre elas, o Posto de Saúde da Vila
Municipal situado na Vila Santos Dumont, pertencente ao Departamento de
Medicina Social da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas.
O Posto de Saúde da Vila Municipal é uma das mais antigas
na cidade. A população da Vila Santos Dumont foi estimada em 2.652 pessoas,
sendo que 61% da população era maior de 20 anos (11). A comunidade fica bem
delimitada, o que facilita o reconhecimento da zona de abrangência do
serviço.
Além do atendimento à livre demanda, entre as atividades
de saúde desenvolvidas na unidade, são prioritários alguns programas, entre
os quais o atendimento aos pacientes com Diabetes mellitus. A
incorporação do método epidemiológico na avaliação de suas atividades é uma
tradição do serviço, de forma que no presente artigo discute-se a avaliação
dos cuidados em saúde dos pacientes com Diabetes mellitus. Dessa
forma, o objetivo da investigação foi avaliar as condições de processo e
resultado decorrentes das ações de saúde específicas para o grupo de
pacientes com mais de 20 anos de idade, com diagnóstico de Diabetes
mellitus, residentes na Vila Santos Dumont, em Pelotas, RS.
Materiais e Métodos
Realizou-se um estudo epidemiológico de caráter
transversal que descreveu algumas características de processo e resultado
entre os pacientes com diagnóstico de Diabetes mellitus, residentes
na Vila Santos Dumont, Pelotas, RS. O Projeto de Pesquisa foi
submetido à aprovação pela equipe do Posto de Saúde e os participantes
manifestaram consentimento livre e esclarecido.
Em 1997, foi realizado um diagnóstico de saúde
populacional entre os habitantes da Vila Santos Dumont, no qual foram
detectadas as morbidades presentes na comunidade, entre essas, o Diabetes
mellitus (11). Desde 2001, foi implantado o Programa de Agentes
Comunitários de Saúde na comunidade. A partir dessa atividade o número de
pacientes com diagnóstico de Diabetes mellitus foi ampliado. Todos os
pacientes com diagnóstico reconhecido pela equipe do Posto de Saúde foram
visitados pelas pesquisadoras (LCFP e ADD). Entre as visitas ocorreram duas
perdas (por ausência no domicílio) e uma recusa, o que representa 3,3%.
A coleta de dados foi desenvolvida em julho de 2002. Foi
realizada por duas entrevistadoras, acadêmicas da UFPel. As entrevistadoras
foram treinadas na aplicação dos questionários e na aferição de medidas
antropométricas, pressão arterial e glicemia capilar. Foi realizado
estudo-piloto, em outra região da cidade, para teste dos instrumentos.
Uma vez localizados, esses pacientes foram entrevistados
em seu domicílio, utilizando-se de um questionário com questões
pré-codificadas acerca das características demográficas, socioeconômicas, da
doença e do tratamento.
O questionário abordou questões relativas a possíveis
recomendações da equipe de saúde aos participantes com respeito à dieta,
prática de atividades físicas, diminuição de consumo de açúcar e gordura.
Investigou-se, também, se os pacientes seguiam, no momento da entrevista,
tais recomendações.
Por fim, procedeu-se ao exame físico, que consistia nas
seguintes manobras:
· aferição do peso: os
entrevistados foram pesados sem sapatos e com roupas leves em balança
portátil, com capacidade de 120kg;
· aferição da altura: os
entrevistados foram medidos sem sapatos, de costas para uma parede, onde
foi afixada uma fita métrica a 50 cm do chão, com os pés paralelos e os
tornozelos unidos;
· cálculo do índice de massa
corpórea (IMC) através da fórmula: IMC = peso em quilos / (altura em
metros)2, segundo os critérios
recomendados pela Organização Mundial da Saúde (12);
· aferição da pressão arterial
(PA): a medida foi coletada com os entrevistados sentados, em repouso e
através de esfigmomanômetro calibrado do tipo aneróide. Foi utilizada a
média do valor aferido uma vez em cada braço, corrigida para a
circunferência do braço;
· glicemia capilar (GC): foi
medida após um intervalo igual ou superior a uma hora e trinta minutos da
última refeição; foi aferida com glicosímetro da marca Advantage, que faz
a determinação da glicose no sangue capilar fresco pela fotometria de
reflectância, através de tiras reativas; esse aparelho é capaz de detectar
glicemias capilares situadas entre 10 mg/dl e 600 mg/dl;
· os parâmetros de normalidade,
definidos pela ALAD (13), que caracterizam compensação no manejo de
pacientes que apresentam Diabetes mellitus foram: índice de massa
corporal = 27 kg/m2 em homens
e IMC = 26 kg/m2 em mulheres;
pressão arterial = 140 x 90mmHg; glicemia capilar = 180 mg/dl;
o Ministério da Saúde (14) adota como parâmetros: índice de massa corporal
= 27 kg/m2 em homens e
mulheres; pressão arterial = 160 x 95mmHg; glicemia capilar
glicemia capilar = 180 mg/dl.
O controle de qualidade do questionário foi feito através
de revisitas a quase todos os participantes pelo pesquisador.
Após a codificação dos questionários, foi realizada a
dupla entrada de dados, para diminuir a possibilidade de erros. Foi
realizada a análise bivariada utilizando-se dois desfechos: recomendações e
adesão. Tentou-se explorar quais as características dos pacientes com
Diabetes mellitus, as quais poderiam marcar os indívíduos que não
receberam todas as recomendações e que não aderiram às orientações. A
análise levou em consideração as razões de prevalência, respectivos
intervalos de confiança a 95% e teste do Qui-quadrado (15). A análise
estatística foi realizada através do SPSS (16).
Resultados
Foram encontrados 89 pacientes moradores na Vila Santos
Dumont, que tinham diagnóstico de Diabetes mellitus nos registros do
Posto de Saúde da Vila Municipal. Assim, a prevalência da doença nessa
comunidade, entre a população de 25 a 94 anos, foi estimada em 5,5% (IC
95% de 4,4 – 6,6).
Os participantes do estudo eram predominantemente do sexo
feminino (68,5%), de cor branca (60,7%), com mais de 50 anos de idade
(71,9%), com companheiro (65,2%), com até quatro anos de escolaridade
(68,5%), com renda familiar inferior a um salário mínimo (55,1%), com
história familiar presente (43,8%), com história de hipertensão arterial
sistêmica (52,8%), apresentando sobrepeso ou obesidade (73,9%), segundo o
índice de massa corporal, e com glicemia capilar pós-prandial de até 180 mg/dL
(61,8%). A grande maioria dos pacientes consultava no Posto de Saúde da Vila
Municipal (72,4%) (Tabela 1). A média anual de consultas dos participantes
foi de 5,0, com desvio-padrão de 6,1.
Tabela 1 -
Características demográficas e socioeconômcas dos
pacientes com diagnóstico de Diabetes mellitus, Vila Santos Dumont,
Pelotas, RS, 2002
Em relação às recomendações da equipe do Posto de Saúde
da Vila Municipal quanto às modificações de estilo de vida dos pacientes com
diagnóstico de Diabetes mellitus, verificou-se que 88,8% dos
participantes foram orientados a diminuir o consumo de açúcar, 83,1% a
diminuir o consumo de gordura, 77,5% a realizar dieta e 71,9% a praticar
atividade física. Dentre os participantes, 50 (56,2%) receberam todo o
conjunto de recomendações (Tabela 2). Durante a análise, tentou-se
correlacionar os pacientes que receberam o conjunto de recomendações com as
diferentes variáveis exploradas na investigação. Contudo, não foram
encontradas diferenças estatisticamente significativas.
Tabela 2 – Características
quanto à morbidade prévia e local de consulta médica nos pacientes com
diagnóstico de Diabetes mellitus, Vila Santos Dumont, Pelotas, RS,
2002
Analisou-se a adesão dos pacientes, seguidas no momento
da entrevista as recomendações feitas pela equipe de saúde. Assim, entre os
79 pacientes orientados para diminuírem o consumo de açúcar, 84,8% referiram
seguir a medida. Dos 74 pacientes aconselhados a diminuírem o consumo de
gordura, 85,1% manifestaram a aderência. Foram encontrados 69 participantes
que receberam orientação para realizarem dieta, desses 52,2% seguiram a
mudança de hábito. E, entre os 64 indivíduos que tinham sido incentivados a
praticarem atividades físicas, 43,7% fizeram. Entre as 50 pessoas que
receberam todas as recomendações, apenas 11 (22,0%) referiram adesão (Tabela
3).
Tabela 3 – Distribuição de
recomendações relativas ao estilo de vida realizadas pela equipe de saúde
aos pacientes com diagnóstico de Diabetes mellitus, Vila Santos
Dumont, Pelotas, RS, 2002
Utilizaram-se os critérios utilizados pela Associação
Latino-Americana de Diabetes (ALAD, 2000) e do Ministério da Saúde do Brasil
(1997) para avaliar as características de resultado nos pacientes incluídos
no estudo. Assim, apenas cinco (5,6%) pacientes estavam compensados segundo
a ALAD, e 13 (14,6%) de acordo com o Ministério da Saúde (Tabela 4).
Tabela 4 – Distribuição de
adesão dos pacientes com diagnóstico de Diabetes mellitus, Vila
Santos Dumont, Pelotas, RS, 2002
Tabela 5 –
Distribuição dos pacientes conforme critérios da Associação Latino-Americana
de Diabetes (ALAD) e Ministério da Saúde (MS), Pelotas, RS, 2002
Em relação à análise bivariada dos indivíduos que receberam todas as
recomendações, o teste estatístico foi significativo para sexo masculino (p<0,05),
embora essa diferença não tenha sido demonstrada pelos intervalos de
confiança (razão de prevalência = 1,78; IC95% 0,94 a
3,36).
Quanto à idade, observou-se uma tendência linear, ou
seja, à medida que aumentava a idade, diminuía a proporção de indivíduos, os
quais referiram receber as recomendações. Esse achado não foi confirmado
pelos intervalos de confiança. Observou-se que os indivíduos obesos recebiam
mais as informações do que as pessoas com índice de massa corporal normal
(razão de prevalência = 0,54; IC95% 0,29 a 0,99).
A outra variável dependente analisada foi adesão às
recomendações. O teste estatístico foi significativo para história familiar
de diabetes (<0,05). Aparentemente, os indivíduos com história familiar
tinham um maior percentual de adesão às recomendações, mas a diferença não
foi confirmada pelos intervalos de confiança (razão de prevalência = 0,85;
IC95% 0,71-1,01).
Deve-se destacar que todas as pessoas que seguiam as
recomendações mencionaram como seu local preferencial de cuidados para a
doença o Posto de Saúde da Vila Municipal.
Não foram encontradas diferenças estatisticamente
significativas entre as médias do número de consultas no ano precedente à
entrevista e aos desfechos do estudo. Contudo, observou-se que as pessoas
que receberam todas as recomendações e mostraram aderência alcançaram uma
maior média de consultas.
Discussão
A prática de avaliação de programas, serviços e
tecnologias em geral, e especialmente na saúde têm se expandido e
diversificado conceitual e metodologicamente, por se constituir em
instrumento de apoio ao processo de tomada de decisões necessárias à
dinâmica da organização de políticas, sistemas, serviços e ações de saúde.
Com isso, percebe-se que o presente estudo confirmou o pressuposto de que o
processo de avaliação de serviços e programas pode contribuir
satisfatoriamente para a melhoria da assistência prestada aos pacientes, na
medida em que relaciona o processo de trabalho da equipe multidisciplinar de
saúde com os resultados obtidos.
A prevalência de pacientes portadores de Diabetes
mellitus foi semelhante à encontrada em outros estudos realizados no
Brasil. Em um estudo transversal, realizado entre 1986 e 1988, foram
encontradas prevalências variando de 5,2 em Brasília a 9,7 em São Paulo,
ressaltando que em Porto Alegre a prevalência foi de 8,9. Esse estudo
mostrou que as regiões mais afetadas do Brasil eram Sudeste e Sul, embora os
resultados das demais regiões não tivessem sido diferentes dos encontrados
nos países desenvolvidos (17). A variação das prevalências citadas pode ser
explicada pelos diferentes hábitos de vida das populações. Assim, em relação
à prevalência encontrada no presente estudo, pode ser considerada abaixo do
esperado para a região. Além disso, sabe-se que provavelmente a metade dos
pacientes desconhece a condição (5).
Como tarefa para a organização do serviço de saúde, a
baixa prevalência encontrada traduz uma necessidade e um esforço especial na
ampliação da captação de pacientes com a doença através do aprimoramento dos
critérios de diagnóstico e rastreamento. Assim, pacientes com história
familiar da doença, portadores de obesidade ou com história de infecções de
repetição, por exemplo, podem ser rastreados como medida de elevar a
cobertura da população.
Quanto à utilização do serviço de saúde, deve-se
ressaltar que 70% dos pacientes com o diagnóstico da doença referiram como
local de tratamento preferencial o Posto de Saúde da Vila Municipal, o que
demonstra a adscrição da população da comunidade ao seu serviço local. Os
participantes do estudo obtiveram uma média anual de consultas superior à da
população adulta da cidade de Pelotas (3,3 na população de 20 a 69 anos)
(18). De certa forma, essa média elevada de consultas médicas pode traduzir
a dificuldade de manejo e compensação dos pacientes com Diabetes mellitus.
No entanto, deve-se ressaltar que a comparação entre as médias de consultas
quanto à prescrição e adesão das recomendações não foi significativa.
Sabe-se que o tratamento do Diabetes mellitus, em
qualquer circunstância, envolve primariamente alterações no estilo de vida
(19). Dessa forma, esperava-se que um maior percentual de pacientes
recebesse recomendações sobre diminuição do consumo de determinados
alimentos, realização de dieta e prática de atividades físicas. Um estudo
avaliou as condições de processo no manejo de pacientes com Diabetes
mellitus na rede pública de saúde em Pelotas e revelou percentuais de
recomendações para dieta e atividades físicas muito semelhantes aos
encontrados (20). Entretanto, deve-se ressaltar que as informações do
presente estudo foram coletadas diretamente com os pacientes envolvidos, sem
revisão de prontuários e sem entrevistas com a equipe de saúde. Ainda que os
pacientes com obesidade recebessem mais orientações, esse achado não foi
encontrado nos indivíduos com sobrepeso. Numa população em que
aproximadamente 70% dos indivíduos apresentavam sobrepeso ou obesidade, o
percentual de recomendações deveria ser mais elevado. Visto que os pacientes
obesos recebem mais orientações, torna-se necessário um maior esforço da
equipe na coleta de medidas antropométricas dos adultos para o
reconhecimento de indivíduos com sobrepeso. Talvez o alerta para os
indivíduos com sobrepeso possa ampliar o percentual de recomendações
oferecidas aos pacientes.
Em relação à adesão dos pacientes com Diabetes mellitus às
recomendações, deve-se salientar que as informações coletadas se referiam ao
seguimento no momento da entrevista, uma vez que o conjunto de medidas é a
base do esquema terapêutico da doença. A análise bivariada sugeriu que os
indivíduos com história familiar da doença mostraram maior adesão às
recomendações, possivelmente pelo prognóstico vivenciado. Ainda que as
informações relativas à adesão não tenham sido validadas, observou-se que
mais da metade dos indivíduos negava a prática de exercícios físicos. Esse
achado remete para dois aspectos: o
predomínio de pessoas com mais de 50 anos e com sobrepeso
ou obesidade. Fatores que levam ou que são conseqüência da baixa adesão à
atividade física (21). Portanto, demonstra-se a necessidade de a equipe de
saúde intensificar a motivação para a prática, assim como especificar as
instruções relativas às recomendações, tais como uso de calçados adequados e
prevenção de assaduras.
Encontrou-se também baixa adesão à dietoterapia. Esse
achado traduz a dificuldade de os indivíduos modificarem seus hábitos de
vida e deve servir como reflexão de toda a equipe de saúde, incluindo o
serviço de nutrição, sobre a necessidade da adequação da prescrição de
dietas individualizadas e do acompanhamento mais estreito dos pacientes.
Os baixos percentuais de adesão às recomendações são
semelhantes aos encontrados em alguns estudos realizados em Pelotas. Um
estudo realizado em uma unidade básica de saúde, também com o intuito de
avaliar os cuidados prestados aos pacientes com Diabetes mellitus,
mostrou que apenas 20,9% realizavam atividade física e 28,4% seguiam
recomendações dietéticas (22). No estudo de Assunção et al. (20),
verificou-se que 33,8% praticavam atividades físicas e 53,4% a dieta.
Os baixos percentuais de pacientes compensados, segundo
os critérios do Ministério da Saúde ou pelos parâmetros da ALAD, refletem
condições de estrutura, de processo e da adesão dos pacientes. As condições
de estrutura do Posto de Saúde da Vila Municipal são diferenciadas em
relação à maioria das unidades existentes na cidade, levando-se em
consideração área física, recursos humanos e materiais. Uma vez que existem
evidências mostrando que o impacto de medidas de saúde, incluindo a
eliminação de fatores de risco e mudanças no estilo de vida, é mais demorado
nas populações mais pobres, como a da Vila Santos Dumont (23, 24). Esse fato
exige a adoção de outras estratégias pela equipe de saúde, incluindo
esforços em educação continuada, a criação de protocolos específicos para
manejo da doença que propiciem a padronização dos procedimentos, criação de
grupos terapêuticos como forma de motivação dos participantes e a avaliação
contínua do programa.
O conjunto de resultados dessa avaliação aponta como alvo
de nova investigação a população adulta, obesa e com sobrepeso, sem registro
de história de Diabetes no Posto de Saúde da Vila Municipal, a fim de
rastrear novos casos da doença, para oferecimento de cuidados de saúde
efetivos na prevenção de complicações precoces.
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