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Revista da AMRIGS
Volume 49  No 3: 137 - 216 / Julho - Setembro 2005
BL ISSN 0102 - 2105

ARTIGO ORIGINAL

 

Correlação entre uso de quimioterápicos antiinfecciosos e mortalidade

Wilson Paloschi Spiandorello, Giorgia Torresini Ribeiro, Jacqueline de Oliveira Alvares

SINOPSE

Objetivo: Correlacionar o consumo de quimioterápicos antiinfecciosos com mortes.

Delineamento: Vigilância epidemiológica.

População: Foram registradas todas as drogas quimioterápicas antiinfecciosas prescritas para tratar doenças infecciosas em um hospital. Os pacientes que as usaram foram seguidos desde a admissão até a alta ou o óbito hospitalar.

Resultados: Foram estudados 4.968 pacientes que internaram 6.043 vezes. Das 2.305 internações nas quais os pacientes usaram quimioterápicos antiinfecciosos, 2.206 (95,7%) das vezes eles sobreviveram e 99 (4,29%) morreram. Os que sobreviveram usaram em média 1,55 (DP 1,09) quimioterápicos antiinfecciosos e os que morreram usaram em média 2,78 (DP 2,44) quimioterápicos antiinfecciosos, p<0.001. A correlação foi linear entre o número de quimioterápicos antiinfecciosos usados e a mortalidade. Os coeficientes obtidos foram: de correlação, 0.869 (p<0.001) e de determinação de Pearson de 0.755. O consumo de quimioterápicos antiinfecciosos por pacientes obteve correlação linear positiva de Spearman’s rho de 0.905 (p=0.002). As relações entre as idades e a mortalidade obtiveram o coeficiente de correlação de Sperman’s rho de 0.936, p<0.00.

Conclusão: A quantidade de quimioterápicos antiinfecciosos usados para tratar pacientes se correlacionou positivamente com a morte e não parece ser uma boa estratégia para preveni-la. Os autores sugerem desenvolver-se o conceito epidemiológico de suficiência de tratamento, considerando a cura e a morte como desfechos, como um índice de uso racional de quimioterápicos antiinfecciosos. Acredita-se que essa estratégia possa obter resultados de impacto no combate a crescente resistência antimicrobiana e na diminuição de gastos desnecessários em quimioterápicos antiinfecciosos.

Unitermos: Estratégia de Tratamentos de Infecções, Epidemiologia, Terapia Anti-Infectiva, Antibioticoterapia, Terapia Anti-Fúngica, Terapia Anti-Viral, Hospital. Mortalidade.

 
 
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Wilson Paloschi Spiandorello – Doutor em Medicina – Pneumologia. Professor do Curso de Medicina da Universidade de Caxias do Sul. Coordenador do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Nossa Senhora Medianeira e responsável do Setor de Epidemiologia.

Giorgia Torresini Ribeiro – Médica Infectologista. Infectologista do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Nossa Senhora Medianeira.

Jacqueline de oliveira Alvares – Enfermeira do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar.

Local da realização e instituição promotora do trabalho: Hospital Nossa Senhora Medianeira; Serviço de Controle de Infecção Hospitalar Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil.

* Endereço para correspondência:

Wilson Paloschi Spiandorello

Rua General Arcy da Rocha Nóbrega, 421

95040-290 – Caxias do Sul, RS – Brasil

Tel: (54) 218-4000, ramal 4076

(54) 228-2445

: wilsonsp@terra.com.br